Com um álbum publicado em 2010 mas retirado do mercado por questões ainda não esclarecidas, Elizabeth Grant ganhou o mundo com dois hits, uma imagem muito forte e um caminho pouco trilhado até então. No último dia 27, Lizzy oficializou a sua acensão com o lançamento de seu segundo álbum, Born to Die, só que dessa vez sob o já conhecido — já amado e já odiado — codinome de Lana Del Rey. O disco obviamente inclui as duas faixas que deram à americana projeção mundial “Blue Jeans” e “Video Games” mas, além de contar segredos dessa artista ainda pouco conhecida, consagra uma fórmula difícil de dar certo na indústria fonográfica mundial.
Lana Del Rey apareceu no final de junho do ano passado com “Video Games”, um video no YouTube que mais parecia uma colcha de retalhos feita de filmagens caseiras dos anos 80 do que com qualquer outro clipe de sucesso que se vê normalmente por aí. Sem promoção profissional, contrato discográfico ou conhecimento de pessoas importantes ou envolvidas no meio musical, Lizzy usou de muito bom gosto ao lançar-se uma outra vez no mundo da música. Mas o fato de não seguir os passos de 90% dos artistas famosos não impediu a rápida repercussão, o sucesso, os que já a amam e os que já a odeiam (rendendo-lhe apelidos como “botox girl”, por exemplo). O resultado, em outubro assinou com a Interscope Records/Polydor para lançar o seu CD no início de 2012, dessa vez, como manda o figurino.
A cara de adolescente provocante, no mais tradicional estilo Lolita — por mais contraditório que isso possa parecer –, somada a um visual meio anos 40 e aos lábios carnudos, deixam clara uma escolha artística e mercadológica. Ou seja, uma bela estratégia de marketing para um lançamento. Mas não por isso devemos subestimar o valor de Lana Del Rey. As duas canções já conhecidas e outras boas faixas de Born to Die mostraram que Lizzy Grant tem sim o que dizer.
A garota de apenas 25 anos parece ter grande influência do Hip Hop Pop americano. Pelo menos muito mais do que aparentava ter nas duas canções que ganharam a internet em 2011. Outra fonte de inspiração interessante, digamos assim, é Britney Spears. Assumidamente sua fã, Lana usa muito de sua linha melódica e técnica vocal, principalmente nos refrões — como de “Lolita”, penúltima faixa do álbum. Além disso, muito dos arranjos e da produção artística do disco tem, sim, um quê de “pop ala Britney”.
Para alguém que nasceu antes dos anos 90, como eu, pode parecer impossível combinar influências tão diferentes quanto Hip Hop, Britney Spears, Bob Dylan e Frank Sinatra. Mas se Lana Del Rey tem um mérito, esse é ele. Ora com muita qualidade, ora nem tanta, Elizabeth mistura essas origens musicais com estilo e, pelo menos, aparenta gostar do resultado. Ela fala de dinheiro, de sociedade, mas fala principalmente de amor. Um amor sofrido, doloroso, com aquela atmosfera bad girl, drogas e dedicação incondicional. Só não é romântica na essência porque não é platônica. Pelo contrário, os romances de Lana soam muito reais, muito de carne, osso e sangue. Mas ainda assim, são imaturos.
O álbum, ao final, passa longe de ser brilhante como podíamos ter imaginado após ouvir os dois primeiros hits. O primeiro single, homônimo e primeira faixa do disco, é bom. Abaixo de “Video Games” e “Blue Jeans”, mas ainda assim traz uma sonoridade daquelas de grudar na memória. Outra faixa interessante é “Off To The Races”, que, junto com as outras três faixas citadas acima, também compõe o EP lançado pela cantora no início de janeiro.
Apesar de tudo que já foi dito Born to Die é um pouco decepcionante. Se de um lado Del Rey mostrou que não é só um par de lábios carnudos, de outro, mostrou pouca profundidade em suas composições, por enquanto. Pelo menos do que se esperava após o sucesso de “Video Games”, uma das canções que balançou 2011 trazendo à nossa memória musical (e visual) uma atmosfera meio James Dean, meio Marilyn Monroe.
Enfim, após um dezembro falando do melhor de 2011 e um janeiro de “férias não programadas”, o The Glass Onion Blog volta com um daqueles nomes que prometem ser destaque este ano. Se você conseguiu ignorar (volutaria ou involuntariamente) Lana Del Rey até hoje, acho que daqui para frente vai ser difícil nunca ter ouvido falar nesse nome ou visto a boca que responde por ele.