Já devo estar indo para o sexto ano de iPod, esse brinquedinho prático que, ao lado de um maço de cigarros e uma lata de Coca-cola gelada formam meu kit de sobrevivência básica em praticamente todas as situações. Não sou dos mais ardorosos fãs de eletrônicos modernos, mas tampouco saudosista. Já colecionei vinis, acho o chiado da agulha uma merda e devo ter ainda uns 500 CDs. Entendo os argumentos de que ter um encarte em mãos é primoroso, mas sinceramente não tenho mais tempo e paciência para “ler” música. Aperto o play no que for mais conveniente no momento e faço o que tenho que fazer – ler jornal, cozinhar, olhar para o teto.
Gosto do iPod porque um dos baratos que tenho é organizar músicas no iTunes. Teve um tempo em que gostava disso até mais do que de escutá-las. Desde o começo desenvolvi um TOC (transtorno obsessivo compulsivo) de criar playlists específicas. Assim, ao invés de upar as músicas para o programa, eu passei a criar pastas dos artistas, seus discos, classificando os gêneros (alguns inventados na hora, assunto que fica para outro post), baixando as capas, dando as estrelas que entendo merecedoras.
Também crio listas especiais que me lembram de situações ou que possam ser utilizadas em horas-chave. Por exemplo, tenho pastas de MPB separadas por cantores e cantoras e tenho catalogadas músicas que classifico como Modern Rock em pastas separadas por ano desde 1998, além de outras para Indie. São três pastas de New Zealand Rock e New Zealand Pop, ambas com músicas que tocavam lá nos anos em que vivi na Nova Terra do Zé, mas não necessariamente de bandas locais. Para essas, tenho uma pasta chamada Kiwi Rock, que fica perto de outra com músicas que ouço para dirigir. Parece meio louco, mas facilita nos pedidos de “põe um som aí” que constantemente ouço de amigos nas mais variadas situações.
Mas vamos ao que interessa. Combinamos aqui no The Glass Onion Blog de fazermos nossa lista de melhores do ano e resolvi utilizar uma dessas pastas para fazer um top 10 de singles que me chamaram a atenção este ano. Eles estão na pasta Modern Rock 2011, que na realidade está mais indie e folk do que rock, o que mostra que minhas pastas, mais do que amontoados inúteis, podem mostrar um pouco da evolução do gênero ao longo da última década. São 44 canções na pasta, algumas lançadas em 2010, mas me permito essa licença poética para encaixá-las este ano porque foi quando fizeram mesmo sucesso. Ou quando as descobri. Ou ainda quando foram parar nas minhas pastas…
TOP 10 Singles 2011
10º – Red Hot Chili Peppers – The Adventures of Rain Dance Maggie
Em um ano em que bandas grandes lançaram discos decepcionantes (Strokes, Coldplay), o RHCP não chegou a brilhar. “I’m With You” está longe de deixar os californianos perto do auge, mas o primeiro single de certa forma resgata o que de melhor eles já produziram. O baixo é tão poderoso que nem as viúvas de John Frusciante reclamaram.
9º - Breakbot – Baby I’m yours
Não faz muito minha praia, é um pouco disco-70′s demais. Mas se o dono do blog chamou “Baby I’m Yours” de música-conceito, quando apresentada por mim, há alguns meses, quem sou eu para discordar?
8º – Josh Ritter – The Curse
Tenho Josh Ritter como o maior dos trovadores ainda vivos – Bob Dylan já morreu, não? Esse norte-americano já chegou ao sexto CD e ainda me assusta como ninguém, ou pouca gente, dê o devido valor a canções que misturam temas como velho-oeste, mitologia e religião. A praia dele é mais o violão, mas essa “The Curse” aposta em teclados de igreja e ganha uma corneta que deixaria os Los Hermanos felizes.
7º – Two Door Cinema Club – What You Know
Pegue nomes como Friendly Fires, Cut Copy, Yeasayer, Miike Snow e Passion Pit. Jogue tudo no iPod, coloque no shuffle e aperte play. A trilha será bacana, apesar de ser impossível distinguir quem é quem nessa mistura. Talvez a graça dessas bandas de eletro-indie-disco-X seja mesmo essa: ter bons momentos garantidos, independente de se saber quem está tocando ou se a banda tem um CD inteiro que presta. Como falamos aqui de uma lista de singles, “What You Know” se encaixa perfeitamente nessa categoria.
6º – Avalanche City – Love, Love, love
Avalanche City é o projeto de um cara, Dave Baxter, que basicamente compôs, tocou todos os instrumentos, gravou disco, lançou-se em turnê e, seis meses depois, levou sua “Love Love Love” a ser eleita a música de 2011 na Nova Zelândia. Folk-pop ensolarado, sem mais.
5º – Fleet Foxes – Helplessness Blues
Há quem diga que os Foxes fazem indie-barroco, seja lá o que isso possa significar. O fato é que superar o sucesso de crítica do disco homônimo, de 2008, era difícil, mas “Helplessness Blues”, nome do disco e do primeiro single, segura a onda e coloca os norte-americanos como a maior banda folk da atualidade. Sim, o som lembra Simon & Garfunkel. E é intencional.
4º – Young the Giant – My body/Cough Syrup
Aberta uma exceção. O quarto lugar fica para duas músicas de um mesmo grupo, o desconhecido Young the Giant. A banda, formada na Califórnia em 2004, lançou seu primeiro álbum homônimo no ano passado e escalou as paradas deste ano com um som bem na linha das “college radios” americanas. Uma espécie de REM meets Death Cab for Cutie. Em um mundo dominado por bandas indies que se parecem demais, um pouco de anos 90 até que cai bem.
3º – Gotye – Somebody that I used to Know
Talvez a mais bizarra música da lista, “Somebody that I Used to Know” chegou ao primeiro lugar da parada australiana em 2011 – a primeira vez que uma banda local conseguiu tal feito desde 1998. O detalhe é que o tal Gotye não é um local — é belga — e a vocal que canta com ele (Kimbra) é uma cantora pop da Nova Zelândia. O som segue a linha minimalista do inglês The XX e usa sample de um som do brasileiro Luiz Bonfá. Influências demais? Teve amigos que torceram o nariz, outros curtiram de primeira. Acho particularmente um belo single.
2º – Foster the People – Pumped Up Kicks
O som bombou no verão norte-americano, a banda fez sucesso nos festivais europeus e nas primeiras ouvidas achei que era mais um desses combos de disco-eletro-indie como tantos outros. Mas “Pumped” te conquista nos detalhes – baixo carregado, vocais sussurrados. Grande som, leva o segundo lugar.
1º- Radical Face – Welcome Home
Houve controvérsia quando postei no Facebook que achava esse som o mais bonito do ano. Houve quem a chamasse de A Banda mais Bonita da Cidade do Iowa, mas dei de ombros. Estou ligado em folk-rock faz tempo, esse som me lembra os melhores momentos de Electric President, outra banda predileta da casa, e para mim vai para o primeiro lugar. E sim, se você reconheceu o som, mas não sabe de onde, é do comercial da Nikon.
3 comments
Driks says:
January 26, 2012 at 1:01 am (UTC 0 )
Quem quer agradar a Gregos e Troianos (rs).
É música… e é agradável aos meus ouvidos!
Valeu pela garimpada! .. e Welcome Home.
beijos!
Rê Tucci says:
January 27, 2012 at 5:08 pm (UTC 0 )
fleet foxes ♥
Daniel says:
May 28, 2012 at 3:59 am (UTC 0 )
Podia fazer outro post com as outras 34 faltantes pq ficou MTO boa a lista…