O documentário ‘Raul – O início, o fim e o meio’ estreia nos cinemas brasileiros em janeiro, mas ele já foi exibido no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. E assistir o filme bem antes do seu lançamento oficial foi uma experiência interessante: muitas pessoas estavam vestidas de Raul Seixas. Não satisfeitas, ainda agitaram e cantaram ‘Sociedade alternativa’ na fila.
O longa foi dirigido por Walter Carvalho, responsável pela adaptação do livro ‘Budapeste’ (de Chico Buarque) para o cinema, e que já tinha sido diretor de fotografia de várias produções, incluindo ‘Central do Brasil’, ‘Janela da alma’ e ‘Cazuza – O tempo não para’.
Apesar de achar que o documentário poderia ter uns 20 minutos a menos (acho que alguns depoimentos de ex-mulheres/amantes poderiam ter ficado de fora da edição final), recomendo muito. A história começa lá na década de 50, com um Raulzito super fã do rei do rock, imitando cabelo e danças, e integrante do ‘Elvis Rock Clube’. Uma bela sacada foi colocar um amigo de infância que, obviamente não sabe falar inglês, cantando as músicas do Elvis, em paralelo com imagens do original. Impagável!
Além da vida pessoal, o documentário passa por toda a incrível produção de Raul Seixas, desde ‘Metamorfose ambulante’ até o disco ‘A Panela do diabo’, em parceria com Marcelo Nova. Tudo bem amarrado com depoimentos de nomes como Nelson Motta, Caetano Veloso (que ‘toca Raul!’ sem dó), Tom Zé e por aí vai… Paulo Coelho obviamente tem presença fundamental no longa, e fala, sem a menor cerimônia, como apresentou todas as drogas ao amigo. E todos deixam transparecer uma nostalgia muito boa ao falar do músico. Também… como não gostar de alguém que cantou ‘quem não tem colírio usa óculos escuros’ e ‘Plunct Plact Zum’?
Vale lembrar também que as soluções encontradas para ‘cobrir’ áudios antigos do maluco beleza foram ótimas (fotos, desenhos, letras de músicas), e a montagem do filme é inteligente e até sarcástica – em alguns momentos, um depoimento vai totalmente contra o anterior. Ou seja, os responsáveis pelo doc não se esforçaram para não gerar mal-estar entre os seus entrevistados.
O fato é o seguinte: quando eu li ‘Vale tudo’, do Nelson Motta, passei um tempão só ouvindo Tim Maia. E depois de assistir ‘Raul – O início, o fim e o meio’, a mesma coisa aconteceu: Raul no último volume até dizer ‘chega!’.
Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=UXuJurkH1_A”http://www.youtube.com/watch?v=UXuJurkH1_A
1 comment
Driks says:
January 28, 2012 at 12:44 pm (UTC 0 )
Já leu “50 anos a mil – Lobão”? Provavelmente você vai fazer o mesmo. Ler e ouvir todas as músicas mil vezes!! Excelente!!!