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Porque eu ainda acho os Titãs a maior banda de rock que o Brasil já teve

Por mais que o meu título possa parecer para alguns uma piada de mau gosto, espero conseguir mostrar para vocês que não estou tão louco assim como pareço nesse primeiro instante afirmativo. E concordo com qualquer pessoa que vier me dizer hoje que os Titãs passam longe do que nós, amantes da música, chamaríamos de o verdadeiro rock’n roll. Mas o que se vê hoje, e já há mais de 10 anos, é uma mudança de linguagem e de estratégias mercadológicas que tentam recuperar os anos de bonança na indústria musical. E isso, querendo ou não, acaba influenciando (e muito) na trajetória das bandas nacionais – principalmente as mais antigas, que lutam para não “perderem o bonde”.

Os Titãs é uma delas. Mas nada pode apagar o legado que eles deixaram em seu início de carreira, quando ainda tinham Arnaldo, Nando, Gavin e Fromer, além dos que ainda permanecem.

O auge dessa banda paulistana, na minha opinião – e no que se pode chamar de verdadeiro rock –- é o disco que escolhi para resenhar essa semana: a obra-prima Cabeça Dinossauro.

Lançado em junho de 1986, o terceiro álbum de estúdio da banda foi o primeiro produzido por Liminha –  para quem não sabe, um dos produtores mais cobiçados na indústria brasileira –,  e foi responsável por fazer desses então oito integrantes – Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Belloto e Charles Gavin –se tornarem os verdadeiros titãs diante de milhões de brasileiros por todo o país. Com um som genuinamente pesado e letras fortes, o grupo conseguira imprimir finalmente a força que tinha em suas apresentações ao vivo e mostrava  sua outra face, deixando de lado o estigma de “bons moços” que era resultado dos álbuns anteriores.

Essa característica evidente rendeu ao disco uma reação preconceituosa da crítica e até censura — diante de multa, ou seja, as rádios que queriam tocar as musicas censuradas eram multadas e, mesmo assim, algumas achavam que valia a pena o custo – de algumas de suas canções. Canções essas que trazem, principalmente, uma forte influência, já tardia, do punk rock internacional. Entretanto, sonoridade e ritmos encontrados no reggae, soul, funk também fazem parte da arquitetura sonora do álbum e até o inédito uso de samplers e bateria eletrônica debutou em Cabeça Dinossauro.

Ao final, a obra traz apenas duas músicas, digamos, “xoxas”, e outras 11 excelentes canções, de onde podemos tirar pelo menos cinco hits. A cartilha do jornalismo me diria para exemplificar a afirmação anterior, mas vou deixar o suspense para o post anexo, onde opino sobre cada canção, na ordem do disco. Assim, você, leitor e ouvinte, poderá sentir na pele a surpresa e o prazer de quem poderia estar ouvindo Cabeça Dinossauro pela primeira vez.

Então, clique aqui e divirta-se com esse que é um dos melhores discos já feitos no Brasil e que representa muito bem a voz de uma banda e de uma geração que acabava de se libertar de 21 anos de ditadura militar e a sua consequente clausura cultural.

E é por isso que eu digo: “onçinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo… Vão se fuder!”

7 comments

  1. Rê Tucci says:

    aa uu ;)

    1. theglassonionblog says:

      Estou ficando louco! De tanto pensar! Estou ficando rouco! De tanto gritar! …

  2. Rafael Guima says:

    Com certeza um dos maiores nomes do nosso Rock. Outro dia encontrei o acústico MTV deles em uma megastore e lembrei que foi o meu primeiro CD.”pança de mamute!” hehe. Foda!

    1. theglassonionblog says:

      Pois é! O acústico é outra prova de que eles não são coisa pouca. Trocaram de roupa e arrebentaram tudo de novo. Pena que foi a porta para uma mudança de rumo ideológico e mercadológico, mas não vejo isso como um ponto negativo, apenas como um novo caminho de uma banda de quase 30 anos de idade. Triste para mim, que preferia esse som aí, mas normal…

      1. Rê Tucci says:

        os cegos do castelo ♥

  3. Levi says:

    Permita-me a provocação. E os Mutantes?

    1. theglassonionblog says:

      Permitido e aceito correções!! Me mostre uma música dos Mutantes que soa como “A Face do Destruidor” e terás minha rendição. hehehe. Em tempo, outra época, outras influências. Mutantes inspirou mais o pré-punk (inclusive internacional) do que SE inspirou em influências externas pós-punk e pós ditadura militar, como os Titãs, no caso. Obviamente, esse caminho não é linear, mas eu diria que a coisa foi meio assim: Mutantes – rock/pop/punk internacional – rock/pop Brazuca (onde os Titãs se enquadram). Câmbio…

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